Desde sempre ela foi assim, intensa. Negra tinhosa. Assim é Elza Soares. Nada lhe sai de graça. Tudo sempre lhe foi penoso. Guerreira, cada canção é hino de louvor a batalhas incontáveis. Seu jogo nunca é um a um. O placar, nem sempre favorável, não abate nunca quem sabe, como ela, que os moinhos são mera paisagem. Cada placar favorável parece, no entanto, mentira que deixou saudade e transforma sua história em poemas de rimas ricas.
Uma parte de mim é, certamente, nômade. De Itaocara, cidade do norte fluminense onde nasci, até São Paulo, onde resido atualmente, já passei por algumas cidades e em cada uma delas morei em pelo menos dois endereços.
Eu já conhecia João Nogueira da casa do Hermínio Bello de Carvalho, quando, num estúdio de gravação, ouvi “Espelho”, parceria do João com Paulo Cesar Pinheiro. Aqueles versos,“Num dia de tristeza me faltou o velho/ E falta lhe confesso que ainda hoje faz/ E eu me abracei na bola e pensei ser um dia/ Um craque da pelota ao me tornar rapaz/ Um dia chutei mal e machuquei o dedo/ E sem ter mais o velho prá tirar o medo/ Foi mais uma vontade que ficou prá trás” me emocionaram.
7 de junho de 1970, um domingo. Até aí, nada demais. Só que neste domingo, às 15 horas, jogariam Brasil e Inglaterra, pra mim um dos maiores jogos de Copa do Mundo de todos os tempos.
Domingo à tarde. O rádio está ligado numa rádio qualquer. Acabou de tocar uma dessas músicas chatas que o programador jura que os ouvintes adoram ouvir. Entra o locutor: “Faleceu hoje, no Rio de Janeiro, o compositor e cantor José Flores de Jesus. Zé Keti, como era conhecido nacionalmente, estava internado havia quase um mês e teve falência múltipla dos órgãos. Aos setenta e oito anos, o compositor... O enterro será logo mais às dezesseis horas no cemitério...”
Uma historinha que li no livro Deixa Que eu Chuto 2-A missão, do jornalista Renato Maurício Prado.
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