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Um Lindo “Balão Azul 2” , por Magro Waghabi

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Já se disse que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. Verdade ou não, o que posso garantir é que um balão, especialmente se for azul, pode cair duas vezes sobre as cabeças dos que teimaram em soltá-lo de novo. Tudo por culpa da tecnologia que, tenho quase certeza, não gostava de um lindo balão azul ou do MPB4 cantando a música de mesmo nome do Guilherme Arantes.
Só pra esclarecer uma questão sobre os avanços da tecnologia: desde as gravações em fita até o som digital, passaram-se pouco mais de 50 anos, meninos. Pra quem não viveu este começo eis uma fita cassete, o suprassumo em matéria de gravações na década de 1950.

Pois o que se gravava nos estúdios, naquela época, era fixado em fitas magnéticas (hoje é armazenado em imensos HDs, digitalmente, é claro!).
Existiam três velocidades de gravação: 7,5 polegadas por segundo; 15 polegadas por segundo e 30 polegadas por segundo. Quanto maior a velocidade melhor a qualidade de captação e reprodução dos sons. O engraçado disso é que se você pusesse uma fita gravada em, por exemplo, 7,5 polegadas por segundo, para ouvir na velocidade de 15 polegadas por segundo, o resultado era que tudo ficava mais “fino” e mais rápido. As vozes soavam como patinhos (é a melhor imagem que me ocorre...) falando ou cantando.
Estes preâmbulos técnicos foram para ajudar na compreensão do que eu vou contar:
Vocês devem se lembrar do caso, já contado aqui, no qual a tecnologia se virou contra nós e arrebentou a boca do balão, digo, arrebentou a fita que tocava a música “Lindo Balão Azul”, no meio da nossa entrada triunfal na boate do Hotel Quatro Rodas.
Pois bem, pouco depois daquele infausto acontecimento, fomos convidados pela TV Globo para participar das comemorações do Dia da Criança, evento a ser realizado no Anhembi, em São Paulo. Um grande evento!
Como “sinistros tecnológicos não se repetem”, “Lindo Balão Azul” foi escalada para a nossa apresentação. Tomamos os devidos cuidados para verificar se a fita era nova (já pensou se ela se rompesse de novo?). Estava tudo certo.
No dia marcado, possivelmente um 12 de outubro, pegamos a Ponte Aérea no fim da manhã, fomos para o hotel e, como o programa iria ao ar à tarde, não houve tempo de passar o som. Íamos entrar direto, o que não nos preocupava, já que era uma dublagem. Além do mais, conhecíamos a música e o arranjo de cor.
Camarim, roupas, maquiagem... “O MPB4 vai ser o próximo!”, alguém gritou. Caminhamos para trás do palco e esperamos o anúncio do locutor. Confesso que um ligeiro friozinho me correu pela espinha. Será que vai dar tudo certo?
– E com vocês, o MPB4!!!
Soltaram a fita e nós entramos, ao vivo e em cores, para São Paulo e para o Brasil!!! Mas... O que estava acontecendo?... Havia alguma coisa errada... O andamento estava rápido demais... Quando abrimos a boca pra dublar, em vez do som familiar do MPB4, o que se ouviu foram quatro patinhos cantando, freneticamente, o coitado do “Lindo Balão Azul”!!!!
Lembram daquela história das rotações? Isso mesmo, ninguém se lembrou de avisar ao operador do gravador que a velocidade era 7,5 polegadas por segundo, e ele mandou, com a maior convicção, 30 polegadas por segundo...
Entre a percepção do erro e a sua correção, passaram-se alguns segundos – para nós, alguns anos –, em que ficamos saltitando e imitando patos para o Brasil inteiro! Haja mico! Ou seria pato?
Não sei se foi ou não um problema tecnológico, mas, por via das dúvidas, “Lindo Balão Azul” dublado, nunca mais!!!!



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