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Violões coloridos

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Capa do CD do Cor de CordasCapa do CD do Cor de CordasO Cor de Cordas é um trio de violonistas formado por Luca Bulgarini, Milton Daud e Edinho Godoy, cujo CD de estreia tem como título o nome do grupo. “Arrastão” (Edu Lobo e Vinicius de Moraes) abre o álbum e, em sua introdução, um violão dialoga com a percussão, o que dá à música firmeza rítmica. Para tocar a melodia, os violões se juntam. A percussão se expande em novos timbres. As cordas dos violões se entrelaçam em sons que passeiam. Rufa a pele do tambor. A pegada dos violonistas cai no samba. Para a segunda parte, novamente o ritmo dá vez a uma cadência mais leve e lenta. O samba volta. Bordões mantêm a força da música. Um violão sola a melodia, enquanto os outros se deixam fazer de cama.
Aí vem “São Lourenço” (Milton Daud). Os violões tocam a bela melodia. A harmonia incentiva o buliçoso arranjo. Logo surge um solo cheio de criatividade. Dedilhando as cordas com notas graves e com harmônicos bem tirados, um dos violões cuida de levar todos com ele. O ritmo se alterna em momentos de delicada leveza e força pujante. Impressiona a escolha acertada das nuances do som de cada violão.
“Clube da Esquina Nº 2” (Milton Nascimento e Lô e Márcio Borges) vem logo a seguir. Os harmônicos dão o início. Um violão leva a rica melodia; outro toca acordes para ampará-lo; um terceiro dedilha notas soltas. Revezando-se na condução da melodia, seguem concisos. A percussão soa como uma suave bateria. Rica é a alternância de andamentos. A percussão se vale de pratos e tambores. Os violões voltam a se juntar, no encerramento.
“Richard”, a faixa cinco, é também de um dos integrantes do trio: Edinho Godoy. A sua guitarra soa forte. Começa um samba lento. Um violão leva no bordão; outro, em acordes. A voz de Luca Bulgarini se faz de instrumento. A percussão de Edmundo Carneiro, presente em nove das dez faixas do CD, é vigorosa. A voz continua a pontuar a melodia. O violão sola, emocionado. O suingue vem forte, é malicioso, manemolente.
O arranjo de “Fé Cega, Faca Amolada” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), a faixa nove, é extremamente criativo: os três violonistas se divertem enquanto tocam. As 18 cordas se mostram densas e vigorosas, baseadas que estão em bordões e em arpejos. A melodia solada em notas precisas realça a graça da canção. O intermezzo, já bastante conhecido no arranjo original de Wagner Tiso para a gravação histórica de Milton Nascimento, ganha harmonização inusual, quando a pegada dos três violonistas chega a lembrar o que de melhor faz o Duofel.
“Partida” (Milton Daud) fecha Cor de Cordas (lançamento Lua Music). O violão de Daud dedilha as cordas. Começa uma linda melodia. O teclado de Luiz de Boni agrega elegância à terna melodia... Assim, triste, mas belamente, o disco finda.
Um trabalho digno do violão brasileiro, instrumento que se revigora a cada acorde tocado por músicos que o tem como prolongamento de seus próprios corpos e mãos. Assim são Luca Bulgarini, Milton Daud e Edinho Godoy.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4



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