Capa do CD Encontro das Raças de Adriano GiffoniEncontro das Raças, o oitavo disco do contrabaixista Adriano Giffoni, chega ao público no momento em que o instrumentista completa trinta anos de profícua carreira.
Como Quixadá Acústico, disco anterior lançado em 2007, este trabalho também tem como conceito principal abranger e demonstrar a diversidade da música popular. E, como aquele, também traz à cena uma verdadeira mina de ritmos e cadências, colocando-os à disposição dos ouvintes amantes da MBQ (música brasileira de qualidade).
Quando se fala em contrabaixo acústico, Giffoni é referência. Com esse instrumento e com os diversos sons que variam de acordo com cada um de seus formatos, o músico realça sua genialidade a cada solo, a cada improviso, todos eles sempre a cargo de um de seus contrabaixos.
Contudo, neste seu novo CD, Adriano Giffoni não se limita a tocar contrabaixo acústico: faz uso também de baixos elétricos de quatro, cinco e seis cordas e fretless, bem como toca violão de aço e de nylon e viola de doze cordas.
Se por um lado Giffoni é sabidamente um virtuoso instrumentista, por outro vê-se que é também um ótimo compositor e arranjador: as dez faixas de Encontro das Raças são de sua autoria e têm arranjos seus.
Nelas, suas inspiradas melodias, muito bem construídas, têm o bom gosto dos que primam pela simplicidade; as harmonias exalam o aprimoramento que vem com a maturidade; os arranjos têm estampada a marca da sua brasilidade; e cada um dos acordes traz o prazer de quem sabe que é um dos grandes instrumentistas contemporâneos.
Tocadas em violões, viola ou contrabaixo com arco ou em pizzicato, as músicas de Giffoni têm modernidade – seja na pisada de um xote sacudido (“Encontro das Raças”), que dá nome ao álbum; seja numa moda de viola (“Cantiga Violada”), levada apenas pelos baixos acústico e de seis cordas, além do violão, da viola de doze, do acordeom de Coutinho e da percussão de Jiló e Zé Gomes, o que resulta lindo; seja na cadência do “Choro Número 1 em Ré Maior”, solado no baixo acústico e que impressiona fortemente ao fechar o CD; seja numa toada (“Semente”) que, como diz Giffoni no encarte, “na segunda parte, mistura-se com ritmos latinos”; seja numa batida suingada de samba (“Mil Milhas”); ou então numa valsa com legível jeitão erudito (“Valsa em Dó Maior”).
Para tocar com ele, o contrabaixista arregimentou um bom naipe de sax tenor (Tino Júnior e Tinho Martins), flauta (Tino Júnior), trompete (Jeferson Victor) e trombone (Fabiano Segalote), além de acordeom (João Carlos Coutinho e Léo de Freitas), percussão (Jiló e é Gomes), bateria (Amaro Júnior) e guitarra (Felipe Poli, ele que também esteve presente no CD anterior de Giffoni).
Multi-instrumentista das cordas, o resultado de tamanha diversidade sonora faz jus ao talento e à dedicação que Adriano Giffoni sempre demonstrou em seu ofício de trabalhar com e para a música instrumental, uma das melhores e mais ricas do mundo.
Aquiles Rique Reis, músico e vocalista do MPB4
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