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“O primeiro terremoto a gente não esquece jamais”, por Magro Waghabi

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Blog do Wilson Gomes:
"No mesmo instante que recebemos a informação nos dirigimos para uma das estações instaladas no Sítio São Francisco para tentar medir a intensidade e localizar o epicentro, que acreditamos ter sido na Meruoca", disse Costa, acrescentando que o tremor dessa proporção pode ser sentido num raio de até 20 km do epicentro e que não chega causar danos.”

A mensagem acima foi postada na véspera de um telefonema:
– Aquiles, tudo bem? É o Miltinho!
– Tudo bem, Miltinho!
– Olha! Tem um pedido de um show, mas só que cai no teu aniversário e teremos que ir um dia antes... Problemas nos horários dos voos... O que você acha?
– Onde é?
– É num festival de inverno, no interior do Ceará... Meruoca!
– Festival de inverno?
– É uma serra, ao lado da cidade de Sobral, “tipo” Garanhuns, lá em Pernambuco. O clima é de serra mesmo...
– Sobral??? Mas não é lá que a terra está tremendo?
– Parece que já parou...
– Ah, é! Então vamos nessa, eu tenho milhagem sobrando e levo minha mulher e minha filha para comemorar o meu aniversário, em Fortaleza, no dia seguinte.
    Meruoca, traduzindo, quer dizer “casa das moscas”. Fica longe... De Fortaleza pegamos um ônibus (umas cinco horas de viagem), passamos por alguns lugares de nome interessante, até chegarmos a Sobral e começarmos a subir a serra que nos levaria a Meruoca. Um dos lugares tinha um nome que me intriga até hoje: Itapipoca, que, traduzido, é “pipoca de pedra”... Arre! Argh!
    Ao chegarmos a Sobral, meio receosos, soubemos da primeira notícia preocupante: umas duas horas antes houvera ali um terremoto de 3,1 graus na escala Richter. Uma igreja e uma casa sofreram bastante com o sismo.
    Subimos a serra e chegamos ao hotel, no meio do verde! Não se animem, o hotel já tinha sido um “Hoteeel!!!” nos  “bons tempos” mas parecia que algumas estrelas tinham “despencado” por algum motivo...mas qual motivo?...
    Realmente, a temperatura era bem mais amena do que se espera no Ceará e, curioso... Nenhuma mosca! Meus Deus, será que isto quereria dizer alguma coisa?
    Depois de um tremor de terra, diz o manual de sismografia, seguem-se outros, mais fracos, secundários... Tchan, tchan, tchan, tchaaaan!!!
    À noite, jantamos. Dalmo, Miltinho e Lucinha foram para os apartamentos, e Aquiles e eu ficamos vendo um jogo de futebol e tomando umas cervejas no bar.
Não sei se era efeito delas, as cervejas, mas de vez em quando eu sentia nos pés um leve tremor, como se estivesse passando um ônibus na frente do hotel... “Mas aqui não passa ônibus...”
    Fim de jogo, hora de dormir. Embalado pela cerveja me deitei e cai num sono “mais ou menos” profundo. Por um lado, relaxado pela cerveja; por outro, intrigado com os “recados” mandados pelos meus pés durante o jogo.
Meus pés é que tinham razão... Lá pelas duas horas da madrugada, acordei com uma sensação, mais do que um ruído. Tão grave era o som que eu mais o percebia do que ouvia. Era como se uma onda estivesse se aproximando do hotel.
Uma onda??? E aí o hotel passou por cima da onda. Tudo tremeu por alguns segundos... E a onda passou.
    Pulei da cama, totalmente desperto. E a minha reação foi arrumar a mala e me preparar para sair dali o mais rápido possível. Pra onde? Sei lá!
Depois, conversando com os meus amigos, eu soube das suas reações: Aquiles dormindo estava, dormindo ficou, injuriado com esses hóspedes que chegam de madrugada fazendo barulho; Miltinho, acordado por sua mulher, Lucinha, apavorada com o que havia sentido, também não se impressionou muito; e Dalmo, sentindo o mesmo pavor que eu, pulou da cama e foi para a varanda do seu apartamento... Felizmente, o hotel só tinha dois pavimentos, pois ele descobriu que o seu vizinho do lado, também pronto para pular, já calculava o estrago que adviria do pulo.
Foi difícil dormir depois dessa experiência...
Mas, é verdade, adrenalina vicia, ora se!!!
No estado de vigília em que fiquei até o amanhecer, lembro-me até hoje dos dois sentimentos que brigavam dentro do meu cérebro:
– Cara! Vamos embora daqui o mais depressa possível!
– Que nada, cara! Confessa que você gostou da sensação!
    Essa experiência também pode ajudar a explicar porque existe um país inteiro construído sobre uma falha geológica, e uma “megacidade” a espera do “Big One”.
    Pode?



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