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“Mas será que nem nu a gente impressiona?”, por Magro Waghabi

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4 Coringas tinha tudo para ser um sucesso. A música que dá título ao disco, feita especialmente para nós pela maravilhosa dupla Ivan Lins e Vítor Martins, abria o vinil e tinha como convidado especial o maior dos palhaços brasileiros – o que veio para confundir, não para explicar –, Abelardo Barbosa, o Chacrinha. 
Logo a seguir, uma inédita de Gilberto Gil, “Bacurizim”. Depois, uma música lindíssima de dois craques da composição, Zé Renato e Capinam, “Ele Vai Te Flechar”. E por aí a fora, passando por Tom Jobim, com a participação maravilhosa de Nana Caymmi, além de Marcus Vinícius, Gonzaguinha, Maurício Tapajós e Aldir Blanc. Além da “prata da casa”, presente com duas composições de Miltinho, uma com a contribuição melódica de Zé Renato e letra de Paulo César Pinheiro, e outra com letra deste modesto escriba, um samba em homenagem ao nosso grande amigo “Cachimbo”, que contou com um competente solo de Joel Nascimento no bandolim. 
O disco tinha um fecho de ouro: a belíssima “Passageiro”, na qual Ana Terra colocou linda poesia sobre a melodia de Nelson Ângelo.
A capa, concepção nossa, de Guta e do fotógrafo Carlos Horcades, representava a ideia principal do disco, fielmente retratada na música título: a diversidade da luta daqueles quatro cantores, atores, palhaços, políticos, sindicalistas, pais, filhos, verdadeiros quatro coringas brigando pela música popular brasileira e pela própria subsistência dentro da selva em que a MPB estava metida desde o advento da famigerada “mídia de consumo”. 
Mas eu dizia que a capa representava a ideia da concepção do disco. Nós quatro, fantasiados, nas mais variadas poses, vestindo as roupas do cotidiano: jogador de futebol, cozinheiro, anjo e demônio, presidiário e palhaço, general e mágico etc.
Sobre a montagem das fotos, com uma roupa de menestrel-coringa, empunhando um alaúde, Miltinho a tudo e a todos observava. 
É realmente uma capa sugestiva que reflete a realidade das nossas vidas nestes mais de 40 anos de música. Pra mim, ela continua atualíssima!
E agora a contracapa. Todo disco de vinil tinha essa “singularidade”, a contracapa, onde se colocava a ordem das músicas dos dois lados do disco. Pois é, meninos, assim era um disco de vinil, a melhor contribuição que o petróleo deu às nossas vidas, com mais ou menos 15 cm de diâmetro e aproximadamente seis faixas para cada lado... Tinha que se colocar o disco no prato da vitrola, a agulha, que ficava na ponta do braço, no começo da primeira faixa do lado A. Acabada a audição, levantava-se, ia-se até a vitrola, virava-se o disco e se colocava a agulha no começo da primeira faixa do outro lado, o “B”...
Voltando: pois como seria a contracapa deste disco em que acreditávamos tanto? Conversa vai, conversa vem, chegamos à conclusão de que a contracapa deveria mostrar o avesso da capa, ou seja o MPB4 sem fantasia nenhuma... sem nada... os quatro nus!
– Nus????
– Porquê não?
– Mas... Espera aí, será que não vai chocar os nossos fãs?
– Talvez seja isso o que esteja faltando para a gente estourar no mercado. A gente tem o maior medo de usar a mídia e por isso acaba ficando em segundo plano. Sou a favor!
– Será? 
– Será?
Pois é, ideias malucas surgem de vez em quando em nossas vidas... Às vezes elas nos empolgam e a gente embarca de cabeça... Foi assim com esta... Mas com a condição de que seríamos fotografados de costas...
E assim foi. Estúdio marcado, entramos, tiramos as roupas e Carlos Horcades fotografou. Um dia me peguei imaginando o que o Carlos poderia fazer com as outras fotos tiradas, as “proibidas”: Será que ele pensaria em publicar um ensaio fotográfico para uma revista de nus? Imaginei e imediatamente me tranquilizei...
Enfim, tudo pronto para a chegada do novo filho,
4 Coringas!!!! Finalmente um disco que tinha tudo para “estourar no norte”, como dizia nosso convidado, o Chacrinha, em seus programas de televisão, líderes de audiência.
Estávamos certos de que o disco tinha todos os ingredientes para arrebentar: um bom repertório, bons convidados, bons arranjos e, principalmente, uma capa polêmica.
Mas agora já não dependia mais da gente. Era esperar os trâmites finais: prensagem da capa, prensagem do disco e, finalmente, o lançamento.
Enfim, o lançamento!!!
Dia seguinte. Acordo, vou à banca e compro os mais importantes. Abro os “cadernos de cultura” e... Nada!!! Nada de extraordinário... As críticas elogiosas de sempre. E quanto às nossas bundas de fora... Nada!!!!
Mas não é possível!
Pois foi!
Se fosse com o Caetano Veloso a crítica ia logo dizer:
Jóia!!!!
P.S.: “jóia” era uma gíria usada antigamente que queria dizer irado!!!!
P.S. do P.S.: será que “irado” ainda está na moda????
P.S do P.S. do P.S.: de quem é cada bunda? 
Responda e ganhe uma passagem, só de ida, para descobrir se as usinas nucleares do Irã estão ou não fabricando bombas atômicas. Hehehe. Brincadeirinha, hein!
 
Capa do disco 4 Coringas: Capa do disco 4 CoringasCapa do disco 4 Coringas


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