Os avanços tecnológicos são sempre bem-vindos, qualquer que seja a área em que apareçam: na medicina, na aviação, no esporte e, no nosso caso, na música. Quando bem usadas, as novas tecnologias só melhoram o desempenho dos que as usam.
O MPB4 começou a gravar usando um microfone só para os quatro. Hoje, cada um grava no seu microfone e em trilhas separadas, o que permite corrigir e misturar as vozes com uma facilidade inimaginável naqueles anos 1966.
Mas, inversamente, já sofremos com as maldades que a tecnologia pode infringir. Um lindo balão azul pode, de repente, furar e despencar na cabeça de quem o soltou... Foi mais ou menos o que aconteceu conosco em duas ocasiões.
O MPB4 fez inúmeras temporadas pelo Brasil. Quando íamos para o nordeste, quase sempre a nossa produção local “aliviava” os custos da viagem fazendo permutas com os hotéis, ou seja: em troca de um show para os hóspedes, o hotel nos dava hospedagem e alimentação durante a temporada.
Nessa época, costumávamos ficar duas semanas em cada capital, fazendo shows nos teatros locais, quase sempre hospedados em hotéis “5 estrelas”.
Numa dessas temporadas, nos hospedamos num dos hotéis da cadeia “4 rodas”. E foi nele que aconteceu este causo, a primeira vez em que fomos traídos pela tecnologia.
O show “permuta” seria realizado na boate do hotel, muito simpática, mas que não tinha um camarim em que pudéssemos esperar a hora de entrar no palco.
Nenhum problema. Era só nos reunirmos no apartamento de um de nós, e de lá, na hora combinada, subiríamos para o show.
– Tudo bem, mas como chegar ao palco? (Não havia outra entrada sem ser a destinada ao público.)
Mas nada como a tecnologia! Estávamos, na época, lançando um disco novo e uma das músicas caía como uma luva para abrir show: “Lindo Balão Azul”, um tema de Guilherme Arantes para um especial baseado na obra de Monteiro Lobato, “Pirlimpimpim”, e que fazia muito sucesso na época.
Mas de que modo nós entraríamos? Tecnologia, meus caros, tecnologia!
Aproveitando que estávamos com uma fita (naquela época era fita, gente!) da música para divulgá-la nos programas de televisão, e que o equipamento de som da boate era compatível para tocar a tal fita, bolamos a entrada triunfal!
Apagavam-se as luzes, o nosso técnico de som acionava o gravador e nós entrávamos, ao som do hit do momento, cantando junto com o playback e já “botando fogo” na platéia.
– Genial!!!
Só que se esqueceram de combinar isto com o gravador...
Hora marcada, todos prontos, o locutor anuncia:
– Com vocês, o MPB4!!!
E a introdução de “Lindo Balão Azul” entra sob os aplausos da platéia. O MPB4 vai passando e cantando pelo corredor entre as mesas – um espetáculo! – Mas... a fita se rompeu! A fita ar-re-ben-tou!!!
E nós, como se diz popularmente, ficamos “com cara de cachorro que caiu do caminhão de mudança”. Meio cantando, sem o apoio da banda, meio dançando, sem o ritmo da música, meio... meio... Tecnologia? Eu, hein?
– Mas você disse que foram traídos pela tecnologia duas vezes. Qual foi a outra?
– Ah! Aí já é outro causo!
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