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"Braguinha", por Aquiles Rique Reis

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          Carlos Alberto Ferreira Braga nasceu em 29 de março de 1907, no Rio de Janeiro. Virou Braguinha e integrou, junto com Noel Rosa, o Bando dos Tangarás. Foi quando começou a se tornar o autor dos maiores sucessos das últimas seis décadas. Adotou um pseudônimo que é nome de passarinho: João de Barro. Hoje, ele deveria ser reverenciado com a pompa e a circunstância devidas por toda a sua inspiração privilegiada usada com carinho e generosidade para enriquecer a música popular brasileira. Aplausos para Braguinha. Medalhas para João de Barro. Prêmios para o cidadão Carlos Alberto Ferreira Braga. Tudo que lhe for concedido será, ainda assim, pouco. Um talento popular e direto como o desse compositor não se encontra, infelizmente, ali no festival da esquina.

            O grande prêmio a ser oferecido a esse homem é a oportunidade para que ele seja (re)conhecido pelos habitantes dessa nação. Propiciar a brasileiros e brasileiras de todas as idades a chance de ouvir “As Pastorinhas”; “Touradas em Madri”; “Carinhoso”; “Copacabana”; “Balancê”; “Pirata da Perna de Pau”; “Chiquita Bacana” e “Anda Luzia” seria uma comenda de amor. Uma homenagem a nós mesmos, um louvor à nossa capacidade de gerar e reverenciar pessoas da altura do “passarinho” João de Barro. Temos o dever de fazer com que a obra dele seja ligada a seu nome. Temos a obrigação de dar imagem ao som que alegrou, embelezou e ainda há de embelezar, alegrar e enriquecer a vida de muitos de nós.

            Seus maiores sucessos são as marchinhas de carnaval. O samba-canção e a toada foram, também, alguns dos gêneros musicais com que Braguinha encantou plateias. “Fim de Semana em Paquetá” e “A Saudade Mata a Gente” fazem parte do que existe de melhor na música popular brasileira. Obra plural, de forte apelo popular. Obra diversificada, com a chancela da riqueza da música mais bela desse planeta. Obra de João de Barro, um brasileiro.

            Como se não bastasse todo o repertório assinalado até aqui, garanto-lhes que o melhor ainda não foi dito. A grande genialidade de Braguinha materializa-se na sua obra infantil. Foram, até hoje, mais de cinquenta discos com histórias encantadoras. Todo brasileiro deve conhecer: “(...) Quem quer casar com a senhora Baratinha/ Que tem fita no cabelo e dinheiro na caixinha?”. Ou ainda: “Nós somos os caçadores/ E nada nos amedronta (...)” E a menininha que ia solitária pela estrada “(...) levar esse doce para a vovozinha” São momentos musicais inspirados, concedidos àqueles que tiveram a chance de usufruir os lampejos da criatividade voltada para o entretenimento de toda uma geração de crianças e seus pais, principalmente aqueles pais que sonham com uma cultura infantil diferente daquela oferecida pelas TVs ao longo de manhãs e tardes vazias.

PS. Este texto foi publicado originalmente no meu livro O Gogó de Aquiles, lançado pela A Girafa Editora em 2004.



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