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As mil e uma músicas pop de Elisa Queirós

Hoje vamos de Bons Ventos, o segundo CD solo da cantora e compositora Elisa Queirós. Integrante do quarteto vocal carioca Arranco de Varsóvia, ela e seus companheiros (duas mulheres e um homem), além de vocalistas são também ótimos solistas, o que lhes dá cacife para consolidar as suas carreiras solo.
Uma introdução do piano de Itamar Assiere entrega a Elisa Queirós “Bons Ventos”, composição dela e faixa-título do CD. Alguns compassos mais e a bateria de Jurim Moreira e o contrabaixo acústico de Alex Rocha se ajuntam a ele. Só quando o suingue já impregnou o arranjo é que recebem Elisa. Ao fim da primeira parte, um intermezzo do piano traz consigo a levada explícita da composição.
Tem-se, então, a primeira percepção dos arranjos, todos de Alex Rocha: o uso de poucos instrumentos que, ainda assim (ou até por isso mesmo), revelam uma sonoridade moderna, como pede a linguagem pop de Elisa.
O canto demonstra os dotes da intérprete: voz quase sem vibrato; perfeita noção rítmica; afinação segura; emoção revelada nos versos em que o sentimento aflora; brejeira, quando assim é para ser, e confessional, como nos versos da sua composição: “(...) Meu corpo e solto no espaço/ Vestido de bailarina/ Por fora sou corredeira/ Por dentro sou cristalina (...)”.
A seguir vem “Amor”, de Fred Martins e Marcelo Diniz. A introdução cabe à bateria. Com pegada firme, ela recebe o reforço do piano e do baixo elétrico. A pegada é pop, bem como pop é a voz de Elisa.
“Disseram” (Andrea Dutra) traz o som característico do vocoder e do Wurlitzer, tocados por Bruno Alves. O clima anos 1970 esquenta a onda. Elisa aproveita o calor instrumental e se esbalda de tão pop.
“Amo Tanto” (Fred Martins e Marcelo Diniz) tem o recurso de dobrar a voz de Elisa. O resultado, com algum reverber, é coisa fina.
“Causa e Efeito” (Leo Minax e Jorge Drexler) tem introdução tocada pelo piano e pelo Fender Rhodes de Bruno Alves, assim como pelo  baixo elétrico e pela bateria, ela que, habilmente, vai nos pratos. Elisa e sua voz seguem em plena contemporaneidade.
Em “Inútil Pensamento” (Rômulo Gomes e EQ), Elisa segue exteriorizando a musicalidade que lhe vem da garganta... meu Deus!
“Amor Amigo” (Milton Nascimento e Fernando Brant) vem comprovar a qualidade do canto de Elisa, quando a sua voz torna-se inquestionável: Elisa Queirós é ótima intérprete!
Reforçado pelas vozes do Arranco de Varsóvia, chega “Carcará” (Jorge Fandemole). Com arranjo vocal de Paulo Malaguti Pauleira (seu companheiro no Arranco), o ritmo caribenho possibilita a Elisa expor sua sensual jovialidade.
“Vagão” (Alain Pierre e Elisa Queirós) tem a beleza de uma história de amor, vivida através do ofício de juntar palavras e cantá-las.
“Antes de Dizer Adeus” (Fred Martins e Elisa Queirós) fecha a tampa. Com participação e arranjo de Martins, o duo soa bonito.
No sentido lato da palavra música, Bons Ventos é um CD para ter seus mil e um compassos pop ouvidos aos poucos.
Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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