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A música está com ele

Hoje é dia do primeiro CD de um batera atuante na cena musical desde o início dos anos 1960. Seu instrumento pode ser ouvido em trabalhos como os de Elis Regina, Nara Leão, Pery Ribeiro, Leny Andrade e Chico Buarque. A todos ele entregou sua batida precisa, seu suingue arrebatador e seu jeito cativante de se relacionar com o mundo. Mas foi junto a Vinícius de Moraes e Toquinho que sua batera ganhou ainda mais destaque. Estou falando do baterista e compositor gaúcho Lupicínio Morais Rodrigues, o Mutinho (sobrinho de Lupicínio Rodrigues), que acaba de lançar Meu Segredo (Kuarup).
São muitos os instrumentistas que, por seu talento, têm o dom de conquistar aplausos em trabalhos solos. Alguns tocam em bandas que acompanham os “artistas”. Digo isso entre aspas porque considero o termo excludente, uma vez que segmenta e segrega em nichos os integrantes de uma mesma categoria profissional, o que, por vezes, ocasiona um pueril “músicos versus músicos”. Somos instrumentistas, compositoras(es), cantoras(es), maestrinas, maestros, arranjadoras(es), vocalistas... somos todos músicos!
Além do mais, muitos instrumentistas compõem – a música que têm dentro de si carece de ser exposta, e o ato de compor se torna quase indispensável para fazer do músico instrumentista um ser ainda mais musical. O batera que lançou o disco, por exemplo, é também, e há muito tempo, compositor. É dele, em parceria com Toquinho, a célebre O Caderno (é uma pena ela não estar no CD).
O trabalho foi produzido pela trinca Bruno De La Rosa (ele que também tocou violão e pilotou a mixagem), Marcos Alma (que gravou, tocou piano elétrico e marcou presença nos arranjos coletivos) e por Wagner Amorosino (que dividiu um arranjo de cordas com Marcos Alma).
No CD, que tem bela capa de Elifas Andreato, prevalecem os arranjos feitos a muitas mãos, enquanto a presença das vozes de Toquinho, Miúcha e Georgiana de Moraes (filha do poeta) enriquecem e amparam o canto de Mutinho.
Em Meu Segredo, um carinhoso tributo a ele, Mutinho gravou diversas músicas feitas em parceria com Vinícius de Moraes e Toquinho: quatro com o poeta, cinco com Toquinho, duas apenas dele, duas com João Palmeiro, uma com Luiz Carlos Seixas (dividida com Toquinho), uma com Carlos Chagas e uma com Marcio Mutalupi.
Tocando batera em oito das quinze faixas, no álbum Mutinho se ajuntou aos bons instrumentistas Silvia Goes (piano), Fi Maróstica (baixo), Gabriela Machado (flauta), Guegué Medeiros (percussão), Nenê (bateria), Alex Braga (violino), Adriana Lombardi (violoncelo), Diogo Duarte (trompete), Bira Junior (clarinete e sax), Salomão Soares (piano elétrico), Rodrigo Digão Braz (batera) e Laércio “Tio” de Freitas (dois arranjos), e também às cantoras Nina Ximenes e Rinah Souto (vocais).
O CD, muito bem concebido e gravado, demonstra o prestígio da trajetória de um músico que sempre, incansavelmente, busca se dar cada vez mais à música.
E, reconhecendo o seu talento, a música o abraçou.
Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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