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Lívia Mattos é pop

A cantora, compositora, sanfoneira e artista circense Lívia Mattos acaba de lançar o álbum autoral Vinha da Ida (Natura Musical). São sete músicas só dela, duas em parceria com o instrumentista franco-angolano Loïc Cordeone e uma com o guitarrista Jurandir Santana. O resultado é um trabalho que abarca gêneros decorridos do baião, numa poderosa mistura de andamentos, melodias e versos.
Lívia Mattos é pop. Pop pela contemporaneidade da música que cria, toca e canta; pela espontaneidade de seu desempenho; pela liberdade com que constrói versos; pela seleção de instrumentos escolhidos para acompanhá-la e a seu acordeom, todos aptos à sonoridade engendrada por ela, por seus colegas instrumentistas e pelo produtor Alê Siqueira – ele mesmo um ser dos sons.
Embrulhando rimas com sargaço, dando-se ao mundo, intensa como o sol que doura a pele morena, na força serena de Iemanjá, ela é pop, a que acolhe a sede de (o) (a) mar. Pop da “Beira-Mar” – como compuseram Gil e Caetano, cujos versos iniciais são uma cartilha a ensinar a ter a luz do mar: “Na terra em que o mar não bate/ Não bate o meu coração (...)”. O coração musical de Lívia pula sobre as sete ondas da Bahia.
Os arranjos são coletivos, compartilhados entre os instrumentistas de cada faixa. Na maioria das vezes, neles está presente a formação instrumental que costuma acompanhá-la na estrada.
Assim é em “Vinha de Ida” (Lívia Mattos), música que abre os trabalhos e dá título ao disco, quando ela canta e toca acordeom com Will Wagner (bateria), Jamberê Cerqueira (tuba e bombardino), Gabriel Rosário (guitarra baiana e “cavacolim”), Fábio Cunha (pandeiro, “torpedo” e tamborim), Marcelo Pinho (pandeiro, timbales “paila” e tamborim), Filipe Massune (violoncelo e coro), Sérgio Reze (gongos melódicos, tambores, “splashs” e coro) e Gabi Guedes (“gã”, atabaques, “rum”, “pi” e “lé”).
O som grave do bombardino e da tuba, mixado ao som do acordeom, aumenta o clima da festa. Um alarido é absorvido pela percussão (ela que prepondera na maioria dos arranjos), estimulando a melodia quase linear.
Além dessa, outras cinco músicas têm arranjos tocados e arranjados pela grande banda de Lívia. Neles, sempre há detalhes de grande beleza a descobrir. Tudo sempre com um suingue irresistível – bom de cantar junto e balançar o esqueleto.
Mas “Sabia Pouco do Sal” (Lívia Mattos), apenas com bateria e violoncelo, é igualmente arrebatadora. O cello toca a intro. Arritmo, Lívia vai no acordeom. Logo ela faz duo vocal com o cantor e pianista pernambucano Zé Manoel. A seguir ele sola a melodia. Linda! Um intermezzo, com ares sinfônicos, precede o fim. Meu Deus!
Lívia Mattos é pop porque com seu cantar e seu compor expressa a alma das gentes. Pop como abreviação de popular, como algo que vai à boca do povo, expondo sua vocação para amar as artes que lhes dizem respeito.
Lívia Mattos é uma artista pop, de pé na areia e saia rodada, que brinca de atrair, canta com o corpo e dança com a voz.
Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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