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Benza Deus, Carlos Chagas!

Tricotando (independente) é o primeiro CD autoral do violonista e cavaquinista Carlos Chagas, integrante do quarteto de violões Maogani. Pleno de homenagens, na condição de arranjador das músicas do álbum ele optou por não repetir a formação instrumental em nenhuma de suas quinze composições. Boa decisão!
Tudo começa com “Choro da Bela”, homenagem de CC à sobrinha, com o som graúdo do seu violão já se revelando cristalino.
“Bola da Vez” (CC e Edu Kneip) inicia com o som grave do clarone (Cristiano Alves). Logo o samba vem com violão (CC), piano (Leandro Braga), baixo acústico (Fábio Cavaliere), batera (Paulo Diniz) e a voz de Pedro Quental. O intermezzo das clarinetas arrasa. Logo volta o clarone... só fera!
“Tricotando” (CC) tem o Maogani em cena: CC (violão requinto), Marcos Alves (violão), Sergio Valdeos (violão de sete) e Paulo Aragão (violão de oito). As cordas complementam-se em sábias dinâmicas. O requinto improvisa. Os quatro se ajuntam para mais brilharem individualmente... eis um dos “segredos” do Maogani.
“Triste Fado” (CC e André Miranda) não é um fado, mas uma marcha-rancho, que tem CC (violão), Marcelo Chaves (guitarra), Aquiles Moraes (trompete), Fernando Trocado (sax tenor), Fábio Cavaliere (baixo acústico), Pompeo Pelosi (bateria e percussão), Thiago Martins (percussão), Claudio Duarte (voz) e coro. Os sopros vêm na hora certa, assim como a percussão. Um intermezzo de guitarra antecipa a volta do canto e o final.
“Suíte Proezas de Dondinho”, com três movimentos, foi composta por CC em homenagem ao avô paterno. A variação rítmica só faz aumentar o carinho pelo homenageado.
“Tão Longe Tão Perto” (CC) é homenagem de CC às tias-avós. O desvelo brota junto com os acordes do violão do autor. Uma valsa tão bela quanto emocionante, que diz do amor e da saudade.
Três músicas dão sequência às homenagens: “Aline”, choro para a companheira e única composição para a qual Chagas escreveu a letra, que é cantado por Taiana Machado; “Dois Meninos”, frevo para os dois filhos; e “Marisa”, um tributo à mãe, com ele ao violão e Diogo Sill na sanfona.
“Oração a Baden” (CC e Edu Kneip) inicia com acordes à la Baden Powell. Com a voz consagrada de Renato Braz afiançando o louvor, a melodia remete a “Berimbau” (Baden e Vinícius). Êta nós!
“Camisa 10” (CC), que conta apenas com clarineta (Cristiano Alves) e violão de sete (CC), é homenagem de Chagas ao amigo Alves. O arranjo, com pencas de “cacho de uvas” na partitura, instou o clarinetista a se virar para (bem) tocá-lo em uníssono com o sete. Show!
“Brevidade” (CC e Ernani Cal), maxixe com arranjo vívido, na voz de Pedro Luis, tem sete cordas e requinto (CC), cavaco (Alexandre Fróes), bandolim (Christiano Miranda) e percussões (Ernani Cal).
“Eliana” (CC e Fernando Trocado) tem só o sete cordas de Chagas e a flauta de Trocado – e pra que mais? Tributo à sogra, o choro é encantador... Ora, mas qual das músicas do CD que não é um encanto? Benza Deus, Carlos Chagas!
Aquiles Rique Reis, vocalista do MPB4

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